Comportamento, moda, fotografia, música, textos de amor e dicas. Um Blog com tudo aquilo que adoramos fazer antes de sonhar! – Por Mariana Solis

domingo, setembro 19, 2010


Anestesia

Não sei se é isso mesmo que quero. Se ainda quero você aqui, dentro de mim, ou se tento te esquecer. Não quero te esquecer. É impossível, é inútil tentar. Mas quanto mais torno-me egoísta e te chamo de meu, vejo que você nunca foi isso. Você não me pertence, mesmo que o contrário aconteça. Nessa hora eu choro. Debruçada na cama onde você dormiu. Com sua coberta xadrez vermelha bem apertada contra meu corpo. Por mais que eu estivesse sozinha naquele momento, absolutamente tudo que aconteceu quando estive com você, passou pela minha cabeça e terminou com aquele meu momento de fraqueza em que eu me entregava mais a essa dor da saudade. Sem anestesia e sem cura.
Eu lembro de sentir o chão gelado sob meus pés e sentir a madeira macia como se eu estivesse nas nuvens. O banheiro antigo parecia novo. O quarto quente parecia fresco. Meu rosto, antes sem vida, demonstrava as mais belas cores. Eu não conseguia esconder. Você me fazia e me faz bem. Tudo muda quando te tenho aqui. Tudo muda quando sinto que você é mais meu. Fechei a porta e sentei naquela cama. Olhei para a bicama. Um dia você esteve ali, sorrindo pra mim, me chamando para deitar-se ao seu lado. Eu disse que não iria. Você fez biquinho. Eu sorri involuntariamente. E olhando que ali, nem mais o colchão estava, senti um vazio dentro de mim. Passou. Lembro da minha ansiedade de te ver. E passou, você se foi. E agora já estou aqui me ansiando de novo pela próxima oportunidade. Então, deitada na cama no outro extremo do quarto, olhei para baixo e vi a sua coberta. Xadrez, vermelha, quente. Ela tinha um significado pra mim quando te via enroscada nela. Mas aquela coberta dobrada e sem você, tornara aquele objeto sem sentido. Eu passava suavemente meus dedos sobre elas, tive medo que perdesse seu cheio ou seu toque. Eu esperava sentir teu cheiro nela. Mas tinha apenas cheiro de lavada recentemente. Tolice a minha, quanto tempo faz que você dormiu com ela? Muito tempo, quase uma eternidade. A cadeira no meio do quarto, ao norte, continuava no mesmo lugar. Você esteve ali. E eu, na cadeira do lado, a nenhum centímetro do seu corpo (eu estava colada em você, lembra?) e a cinco do seu rosto. Sua respiração fundia-se com a minha. Entende por que me sentia tão viva? Porque esse buraco que tem dentro de mim é você. Quando você está a cinco centímetros de mim, eu me sinto completa. Mas ali naquele mesmo lugar sem você, eu percebi que esse vazio tem proporções bem maiores. Naquele mesmo lugar sem você, percebi que tudo ao meu redor lembra-me você. Naquele mesmo lugar sem você, percebi que te amo bem mais do que é possível entender, mais do que eu mesma possa compreender. Ali percebi que você é, sim, meu. Você é essa parte que me falta. 
Ali percebi que minha anestesia é você, minha dose entorpecente e viciante Ali percebi que minha cura seria te esquecer. Mas sei que é impossível. Inútil tentar. Tentar te esquecer e me curar. 
Eu preciso de mais uma dose de você.
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