Comportamento, moda, fotografia, música, textos de amor e dicas. Um Blog com tudo aquilo que adoramos fazer antes de sonhar! – Por Mariana Solis

sexta-feira, outubro 22, 2010


Passado Pac Man

Na falta de opções, eu me escolhi.
De repente do riso, fez-se o pranto, escreveu Vinícius de Moraes. Eu fico imaginando como as coisas conseguem se contrastar. Uma coisa que um dia é motivo para rir, no outro é para chorar. E não é por causa que a piada perdeu a graça, mas porque a piada e quem a contou estão longe e só sobrou aquele pretérito imperfeito de algum dia quase perfeito.
Os detalhes não escapam da minha cabeça. Os mínimos, os que machucam e os que me fazem bem. Todos minuciosamente guardados. Só que os que me fizeram bem, também machucam. Os mínimos machucam. Tudo faz falta. Porque eu sinto sua falta. Eu anseio por te ver de novo e poder pular nos seus braços, você me levantar para que eu encoste nas nuvens e nas estrelas. E quando rodarmos muito, cairmos no chão e rir até não aguentar mais.
Sinto falta de quando a gente jogava Arkanoid. As dancinhas que fazíamos ao som de de toques de 1988 eram mais legais que o próprio jogo. Lembra quantos anos eu tinha? Cinco. É, cinco. E essa é a lembrança mais antiga que tenho de você. Nove anos atrás e ainda consigo lembrar do seu rosto gorduchinho e nós dançando que nem múmia a música do Arkanoid. E você o que lembra de mim? Nada. Pois é.
Por muito tempo eu te amei e eu ainda te amo. O tempo passou e Arkanoid deixou de nos unir. Mas eu ainda tentei fazer com que aquelas duas múmias ainda estivessem dentro de nós. Que aquelas duas crianças que ficavam abraçadas o dia inteiro nunca morressem. E elas morreram. Tem uma foto sua que sempre levo comigo. Na verdade uma foto nossa. Estamos num jardim lindo, e você está me abraçando me dando um beijo babado na bochecha. Só que meus braços estavam rentes ao meu corpo e eu fazia cara de nojo e não era pela sua saliva. Era nojo de você. É, eu tinha cinco anos e agora vejo que as coisas mudaram. Eu? Nojo de você? Parece incoerente, mas aquelas crianças não existem mais. Nem aquela que me abraçava e beijava babado e nem aquela que morria de nojo da outra. Agora existe você e eu. 
Você continua me abraçando e me beijando. Só que você não me ama mais. Um dia você me amou, lembra? Você chorava quando no "com quem será" falava outro menino sem ser você. E hoje faz questão de dizer que me odeia. Por muito tempo entendi que você ainda me amava. Que não tínhamos crescido e que aquelas duas crianças eram só um pouco maiores, nada mais. Uma hora tive que escolher. E eu cansei de sofrer, de tentar fazer com que você diminuisse de tamanho e continuasse me dando beijos babados. Seria mais fácil se nós ainda fôssemos as múmias dançantes do Arkanoid. Se nós fôssemos as múmias azul e rosa. Seria mais fácil se o nós ainda existisse.
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