Comportamento, moda, fotografia, música, textos de amor e dicas. Um Blog com tudo aquilo que adoramos fazer antes de sonhar! – Por Mariana Solis

sábado, julho 02, 2011


Nesse Caderno

As luzes apagadas, a janela pouco aberta, vento e lua apenas. Ilumina meu rosto que demonstra o resto de noites anteriores sem dormir, pensando em você. Doces lembranças com doses de mágoas recentes, feridas expostas e abertas; no meu colo, um caderno. Rabiscos seus, rabiscos meus, alguns segredos e ideias momentâneas. Folhas contigo presente, depois ausente. Não a falta, mas o sentido. Não a mudança, mas o que ficou. Não as lembranças.
Mas as marcas.
Imagino sua silhueta no escuro, na porta do meu quarto, enquanto procura alguma luz para acender. Insisto que não acenda, não se mova, não reaja. Apenas que continue onde você está. E um turbilhão de pensamentos daqueles o-que-faço-agora, te imaginando no claro e me imaginando como estou agora. Porque fiquei pensando em cada palavra que colocaria aqui, e o que você pensaria de mim. Oh, claro, palavras certas para pessoas erradas. Você nunca está aqui: nas minhas palavras ou na porta do meu quarto, desejando ver o que escondo. 
Meus sentimentos.
Não deveria te procurar por aqui, e de tanta distância nada me resta. Planejo, mas não sonho. Estratégia seria o nome certo? Saudade? Será que isso tem nome? Por que insisto em tantas palavras repetidas, que mesmo longe daqui e intocável, sei que você sabe? Mesmo sabendo de cada mágoa que sinto, com todas palavras que jamais tive coragem de te dizer, olhando pro teus olhos. Foi naquela carta, que nunca soube se você leu, que contei de tudo que guardei há tanto tempo. Por medo, talvez, apenas quando sabia que não te viria tão cedo, tive coragem de te entregá-la. Entreguei os resquícios do meu amor embrulhados com um sentimento que ainda queima. Apenas fui embora, numa rápida despedida que nunca desejei, e te deixei com meu coração em quatro folhas de caderno. 
Mas eu nunca disse adeus.
A cada lembrança que me atormenta, esse vazio estufa dentro de mim. Te lembro enquanto esse escuro toma além das paredes do meu quarto, toma-me também corpo e alma. As pontas dos dedos frios que ainda insistem escrever conclusões óbvias juntas aos nossos rabiscos nessa folha de caderno, completa as inverdades na sua letra ilegível abaixo da minha. Suas mentiras, seus sentimentos, sua tão doce ilusão, ao mesmo tempo tão minha e tão nossa. Tateio o chão, à procura de um copo com uma bebida que sempre jurei não beber, enquanto a mente pede: me embriaga, me faça esquecer, entorpece tudo que já pareço não sentir, mas sim faltar. Um gole, cinco goles. Sinto o queimar do peito, que não precisa de álcool para arder em momentos como esse, que apenas espero que me faça te esquecer. Nem que seja necessário esquecer meu próprio nome.
Mas que eu te esqueça.
Lembro de tua frase preferida, que me fez acreditar que jamais teria um fim. Nessa folha que não precisa de frases apaixonadas ou declarações de amor para que tenha algum sentido pra mim. Somos nós em cada linha, cada rabisco nosso. Tudo que me passa pelos olhos fechados, que não me faz apenas te lembrar, mas também lembrar que quando ausente, eu apenas existo. Esse pedaço de mim que insiste em te ter em cada milímetro do meu corpo, bombeando por veias e artérias o amor, tão docemente amor. Sua fragrância que sempre amei, o shampoo de morango e o perfume marcante me embriaga nas memórias e nas garrafas que se vão em goles e goles de tudo que não consigo entender.
Por que tinha que ser assim?
Se eu chamasse de saudade, você sentiria minha falta? Se eu chamasse de ódio, você me amaria? Diria as palavras, não doces mas suas, que amo apenas por estar na sua voz? Fascina-me. Me encanta agora. Me tira de onde estou, acaba com esse sufoco e esse ardor na minha alma. Brigue comigo, diga que me ama, que toda essa distância não será um problema. Peça desculpas, mas me perdoe. Onde erramos? Pergunte. Acenda a luz, me abrace, limpe minhas lágrimas e apenas diga que cada linha do nosso caderno não foi em vão. Foi por amor e por algo que apenas entendo com você. Não vale a pena, você repete. E abraça para que não doa e não queime como dói e queima agora. Que essa falta não seja apenas minha, mas que faltemos juntos. Que toda essa angústia e mágoa seja cessada com o que mais amo em você.
Nós.
Garota Veneno.
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