Comportamento, moda, fotografia, música, textos de amor e dicas. Um Blog com tudo aquilo que adoramos fazer antes de sonhar! – Por Mariana Solis

terça-feira, dezembro 13, 2011


Daquele Primeiro Amor

Henrique,
Lembro de quando nos conhecemos. Se nossos pais não fossem melhores amigos, eu nunca teria aturado você por tanto tempo. Você era menor que eu mesmo sendo dois anos mais velho. Tu com 10, e eu 8: te vendo como uma aberração. Era inevitável que com essa idade ainda existisse uma tênue divisão entre meninos e meninas. Os nojentos e as enjoadas. E assim nos correspondíamos na infância –e até depois do fim dela: 
Henrique o nojento, Mariana a enjoada. 
No entanto gostávamos da presença um do outro: era mais divertido ter a tua companhia do que ficar assistindo televisão sozinha, enquanto seus pais conversavam com os meus na sala. E a gente foi se aproximando, tornando amigos daqueles que passavam a tarde toda brincando no quintal. Então, te vi chorar no meu aniversário de 9 anos, quando falaram o nome do meu primo e não o seu no com quem será
Será que já não estava grandinho demais para dar birra? 
Aí senti mais nojo ainda de você.
Eu nem gostava muito de você. Quer dizer, eu gostava da sua companhia porque era chato ficar sozinha ou brincar com meu irmão mais novo. Tipo, você tinha 11 anos e ainda chorava que nem um bebezinho. Que menino com mais de dez anos ainda era tão infantil? Claro, você sempre contrariou as leis da maturidade. 
No meu colo tenho fotos nossas juntos. Nesse ano que chorou por minha causa você já tinha quase a minha altura. No seguinte, você incrivelmente abriu dois palmos de diferença de mim. Com 11 eu já não sentia tanto nojo de você, e começava a entender suas crises que tinha com essa idade. Eu também comecei a te enxergar de outra forma. Sua idade já trazia os primeiros sinais da puberdade. Achava engraçado ver sua voz mudar de timbre de repente. Melhor ainda era te chamar de pateta desafinado, e você ficava bravo comigo.
E eu fui te sentindo mudar. Eu também mudei. Tu perdeu a vontade de brincar comigo e nós passávamos mais tempo conversando do que fazendo o que eu queria: ficar correndo atrás do outro no quintal. Você começou a contar seus primeiros rolos, e eu te achava homem demais por fazer isso. Afinal, mamãe me dizia que Henrique já era quase um adulto. E eu, me via a criancinha que ainda brincava de boneca. 
E comecei a querer ser como você: grande
Tu falava de uma menina da sua classe. Ela era linda, era um pouco maior que eu e tinha os cabelos longos. Sentia até seus olhos brilharem falando dela. Tentava conter um sentimento que eu pouco entendia: o ciúmes. Numa noite qualquer, deitei no colo de mamãe e chorei por sua causa e pelo ciúmes daquela menina.
E que irônico, eu tinha 11 anos.
Será que eu já não estava grandinha demais para dar birra?
E eu te entendi completamente. Tornou-se lúcido e passei a te ver diferente. Naquele aniversário tu chorou por gostar de mim. E eu também chorei por gostar de você. Por que não tinha percebido isso antes? Por mais que tivesse algum resquício de nojo de você, não gostei quando contou que tinha beijado a tal menina. Foi o seu primeiro beijo. E tu disse das sensações que teve, e no fundo desejei sê-la. Afinal, eu já não era mais sua prioridade. Só às vezes. É que você começou a ficar ocupado demais. Tu cresceu e tal. Eu fui ficando para trás, criança demais. 
E você dizia que eu não entenderia, por eu ser tão pequena. Mas eu entendia! Eu queria entender! E faria tudo para acreditar nisso.
Não era como se tudo fosse mudar de repente, mas eu já tinha 12 anos. Você faria 14 em breve. Nessa noite saímos para comer pizza. Me senti mais velha, ou consideravelmente menos criança. Guardei todos meus brinquedos do meu quarto, só para você ver que eu não era tão nova assim. E eu já desejava notar as primeiras diferenças no meu corpo que nem vi no seu. Havia pouco tempo que você tinha dito que ia esquecer aquela garota. Eu amei aquilo. E mais, me atrevi: peguei na sua mão debaixo da mesa e sorri. E tu segurou minha mão mais forte, sorrindo também.
Esse foi o momento que cresci para ser sua.
Na semana seguinte meus pais viajaram. Os seus ofereceram para que eu ficasse na sua casa durante a viagem. Eu dormiria no quarto de hóspedes, do lado do seu. Sua mãe sempre gostou muito de mim, e algumas vezes tu tinha até raiva disso: ela me dava atenção demais. Paparicava-me por ser a menininha que ela nunca teve. Eu gostava mais ainda por ela sempre me defender e me querer perto de você.
Uma tarde dessas no jardim, enquanto meus pais estavam ausentes, nós conversávamos sobre muitas coisas.
Você me chamou de melhor amiga.
E pensar que um dia te achei nojento.
Eu estava deitada no seu colo, enquanto enrolava meu cabelo nos seus dedos. Eu adorava quando você me observava, me fitando enquanto pensava em coisas aleatórias. Era tanto tempo juntos que às vezes nos víamos sem assunto. E o silêncio se tornava nossas melhores palavras.
Eu amava te entender no simples gesto de te olhar.
E no conforto de silenciar-se, porém correspondidos por infames olhares de desejo, desviei dos seus olhos quentes, fingindo olhar para o céu. Era tão azul e claro. Seus dedos caminhavam pelo meu rosto, fazendo-me arrepiar e pior, você percebeu e riu disso. Quando sorria tudo se tornava tão brilhante quanto o sol sobre nós. Senti seu temor e lá estava tua dúvida, pairando a cabeça. 
Só que eu não queria te perder outra vez
Te puxei pela gola, e fiquei sentada no seu colo. E a única desculpa que te dei por isso era porque a grama tinha começado a me pinicar por ficar tanto tempo deitada. Você riu de novo, por saber mais uma vez que estava te enrolando. O ruim de nos entendermos tão bem era justamente esse: nos entendíamos na verdade e desmascarávamos na mentira. Simples. Eu te abracei sentindo sua respiração no meu pescoço. Tudo aquilo era muito novo para mim. Por um instante jurei ter visto sua mãe na janela sorrindo para nós dois. Mas eu nada disse, tampouco ela.
Mariana é a garotinha mais linda que existe ouviu, meu filho?
Eu bem sabia que ela não iria nos atrapalhar.
E você me abraçou mais forte, apertando teu corpo contra o meu. Seus braços me envolviam de uma forma que tive vontade de nunca mais sair dali. Apertou delicadamente meus rosto entre suas mãos, erguendo meus olhos na altura dos seus. Seu rosto estava a centímetros do meu, nossas respirações se misturavam e o seu shampoo parecia mais forte. Eu senti alguma agitação no estômago? Bem que mamãe me disse das borboletas. Sentia a minha temperatura aumentar a medida que se aproximava mais de mim. Seus dedos caminhavam pelo meu rosto, contornando meus olhos e lábios. Enquanto isso, você espalhava beijos pelo meu pescoço e pela minha orelha.
E pensava: como eu já tive nojo de ti?
Você foi aproximando sua boca da minha hesitante e senti a sua respiração ofegar quando nossos lábios se roçaram levemente. Sua língua invadiu minha boca e me deixei levar por aquela estranha sensação de beijar meu melhor amigo. Fechei meus olhos e senti que tudo era bom demais contigo. Puxei teu cabelo como quem dissesse: nunca mais me solte.
Quero ser sua para sempre.
Você afastou seu rosto do meu, e então percebi o quanto estávamos sem fôlego. Tu teve a sensação de vazio? Eu tive. Mal respirei e você acabava com o espaço entre nossas bocas. Eu sorria, mesmo com nossos lábios colados. Eu desejei tanto aquele momento, que mal acreditava que podia te chamar de meu nem que fosse durante aqueles minutos que me me beijava. 
Foi meu primeiro beijo.
E você Henrique, o meu primeiro amor.
Mariana.



ATENÇÃO: Esse texto ainda não foi finalizado! Na segunda parte dessa história, e garanto, me emocionei muito mais escrevendo-a. Sinceramente, amei o final dessa crônica (pt. 2).

Leia a continuação aqui: Lembranças
5 comentários

5 comentários:

Jéssica disse...

Ainda tem alguma dúvida se deve ou nao? Continue já! Eu adorei muito esse texto =* Beijo amiga blogueira

Anônimo disse...

AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI
Voce ta me entendendo? Tipo, voce acaba de contar a minha historia, e pior ate que o nome dele voce adivinhou. To chorando, pronto falei

Ana Beatriz disse...

Acho que deve continuar sim, ficou ótima essa história! É real? Beijoca amiga blogueira

Clarissa disse...

Indescritível, porém perfeito. Existem essências consagradas nas suas palavras.

Inigualável

Diessyca Tiburcio disse...

Continuaa

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