Comportamento, moda, fotografia, música, textos de amor e dicas. Um Blog com tudo aquilo que adoramos fazer antes de sonhar! – Por Mariana Solis

quinta-feira, março 27, 2014


Independente dos 18

"Mas é preciso ter manha, é preciso ter graça, é preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca possui a estranha mania de ter fé na vida"
Maria, Maria – Milton Nascimento
Hoje completo 18 anos.
Poderia falar que passou rápido, que já passei por muitos bons e maus momentos, que enfim "cresci", mas não. Quero dizer que hoje não me faz diferente. Sou muito parecida com o que fui ontem, mas não exatamente igual. As pequenas mudanças diferenças e evoluções diárias estão no íntimo humano e a maneira que cada um de nós lida com esses pequenos avanços, que às vezes até parecem um retrocesso (afinal, nem todo dia estamos bem), constrói o particular de nós mesmos. Não estou aqui para te dizer clichês e desculpe-me se algo te soar bem familiar, ou melhor, obrigada por entender o que sinto – não é a minha intenção, mas confesso que é uma boa consequência.
Em 2005, lembro-me de ir a uma loja de brinquedos com a minha mãe comprar meu presente de aniversário. E adivinha, eu queria mais uma Barbie, e mamãe, um pouco contrariada, me perguntou por quê mais uma se eu já tinha tantas. E na hora da lábia, as palavras vêm frescas à memória, disse a ela que brincaria de boneca até os 90 anos. Funcionou: fui feliz para casa com mais uma suposta boneca da coleção para brincar a vida toda.
Ainda bem que eu estava belamente enganada. Ainda bem.
Ainda bem que cada uma das bonecas foram doadas. Apenas duas sobraram para contar história, mas uma grande história. Nelas, guardo parte da minha infância. A minha primeira Barbie, com o cabelo cortado e maiô rosa de oncinha, fica junto com alguns ursinhos da Parmalat que não consegui me desfazer. Chega um momento que, mesmo guardados, a gente sabe da importância daquelas pequenas lembranças, porque elas revigoram, elas nos aliviam os sentimentos mais densos e pesados. Mas a Barbie de 2005 foi doada, junto com todas as outras. Foi inevitável uma breve despedida daquelas bonecas que eu tanto gostava das roupas, dos sapatinhos e algumas até do cheiro. Doar meus brinquedos não me desconstruiu. Não me enfraqueceu. Simplesmente iria acontecer.
Tinha que acontecer.
E aí, se me permite, vou dizer que algumas outras Barbies entraram na minha vida. Achei – de novo – que seriam para sempre. Essas Barbies, dessa vez não tão perfeitas e estáticas, muito pelo contrário, cheias de defeito e com vida própria, passaram pela minha vida. Algumas eu guardei. Algumas já estão na vida de outras pessoas. Outras ainda fazem parte da mesma brincadeira. 
Posso te dizer com prioridade: algumas Barbies são meramente colecionáveis. Não foram feitas para brincar.
Mas nem sempre consegui perceber isso logo de cara. Algumas eu até tentei mudar, trocar a roupa, o enredo, mas nem assim. Eram rígidas, inflexíveis. 
Na aplicação diária, já me entreguei, sim. Brinquei mas soube levar na sintonia da brincadeira do outro. Implícita ou explicitamente, o fluxo dos reflexos das nossas ações nos fazem ser ora brinquedo ora a criança que brinca. Mas sabe qual é o melhor momento? Quando você aprende a brincar junto. Quando você aceita o jeito de quem você ama de levar a vida.  Hoje, teoricamente, adulta, não tenho nem cara para dizer-me exemplo. Estou aqui para lidar com as minhas limitações e tentar superá-las a cada dia mais. Por isso, não tenho dúvida de que o amadurecimento sempre será um processo inacabado. Somos eternos incompletos. Vem aí o clichê: não podemos deixar morrer a criança da nossa alma.
Mas vem cá, eu cresci. Passei dos 1m70. Gosto de novas músicas. Adoro conhecer novas pessoas, o que antes era inimaginável. Experimento outras literaturas. Outras perspectivas. Outros sabores. Outros sentimentos. Outras pessoas. Outros anseios. Outros objetivos.
Outros sonhos.
E chega mais... vai dizer que estou irreconhecível? Se estou, já antecipo: você também está. Certas coisas, tão minhas que se tivessem mudado aí não seria mais eu, não mudaram. Ainda esqueço a chave. Tenho dificuldade para decorar nomes. Reconheço fragrâncias com facilidade, fisionomias também. Adoro a Regina Spektor. Não tenho "novos" melhores amigos. Ainda acho música sertaneja universitária tudo igual. Jamais jogo lixo no chão. E amo fotografia. Aliás, esses versos de Milton, no começo do texto, me marcaram tanto, que melhores impossível.  Eu também sou Maria e me esforço para ser melhor.
Pensa aí, na sua vida: o que permaneceu?
Independente dos 18, na brevidade que a vida promete, escolho me livrar do que me prende no ontem e, principalmente, no amanhã. Confesso que já me prendi ao dia de hoje. Grande bobagem. Pouca coisa vai mudar porque, entenda, não há rupturas. No peso dos meus dezoito, carrego meus valores que, até ontem, pelo que eu saiba, não foram alterados. Acima de tudo, porém, sou, e não apenas estou, livre para mudar. E se quer saber, nunca estive presa. Nem que tentem te mudar, te peço, não mude. A vontade de fazer a diferença deve partir, livre e espontaneamente, de você. Engraçado como hoje lido com essa perspectiva com tanta facilidade. Porque é muito natural se deixar influenciar. Porque é mais fácil ser igual. Desafiador mesmo é querer ser diferente do que te falam para ser. Inevitavelmente, essa conclusão, pelo menos para mim, foi lentamente construída. Descobri que gosto de ser o que eu gosto de ser. Se identifica?
No intrínseco da jornada humana, eu, você, nós viemos deixar a nossa história. Eu tenho muito o que aprender sim. As decepções inicialmente abalam, mas eu sei que você já ouviu isso: elas te ajudam a ser mais forte. Eu concordo. É na efemeridade da vida que vou entender por quê estou aqui. Ainda não descobri ao certo. Como eu disse, estou aqui para experimentar.
Nesses 18 anos, eu quero te dizer o que ser independente não é o que me faz ser livre. Muito pelo contrário. Ser livre é descobrir o que me preenche, mesmo que não me complete. De maior ou não, o que engrandece é a constante busca pelo amor, busca que não exige documentação ou idade. Pelo amor à vida, amor ao outro. Pelo amor de ser feliz. É por isso que o nosso primeiro sorriso, quando ainda somos tão pequenos que as mãozinhas mal se abrem, fica na memória de nossos pais. Somos felizes sem nem ter consciência. Anota aí: porque ser feliz não tem censura, e a felicidade, essa sim, é a Barbie que deve permanecer.
Parabéns para mim.
E para todos nós, que somos livres para sermos felizes.
5 comentários

5 comentários:

Beauty dream disse...

Parabéééns riquezaa :)))
Beijinhos*
Blog | Youtube | FB

Evyllen Kethlen disse...

Seu blog é lindo, Parabenss!!
Beijos ♥

Bekka Valdez disse...

Feliz Aniversário!
Sério eu amo muito o seu blog. Ele é aquele blog que você lê para se inspirar, para ficar melancolica e para refletir. Acho os seus textos bem reflectivos e eu adoro isso. Sério, esse realmente me marcou. Muito lindo.
Beijos,
Bekka.

Jessica Sales disse...

Oi :D Desculpa mas indiquei você la no meu blog. Tem algum problema? É que eu amo seu blog, e divulguei lá. Da uma olhadinha, se não gostar é só falar que eu tiro na hora. Parabéns pelo blog :D
http://definabom.blogspot.com.br/2014/04/indicacoes-da-semana.html

Camilla Victória disse...

Primeiramente, Feliz Aniversário (atrasado) rsrs.
Que Deus ilumine teus caminhos e lhe dê tudo de bom =D
Enfim... Menina, você tem muito talento ! Eu amei seu texto, você escreve com sinceridade, emoção, o que fez seu texto ficar simplesmente MAGNÍFICO !!!!
Muito sucesso ao blog, e parabéns pelo lindo dom da escrita <3
Beijos, fica com Deus.
Resenha no Blog: http://lendoeaprendendoblog.blogspot.com.br/2014/03/resenha-golfinhos-e-tubaroes-o-outro.html#comment-form

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