Comportamento, moda, fotografia, música, textos de amor e dicas. Um Blog com tudo aquilo que adoramos fazer antes de sonhar! – Por Mariana Solis

sábado, abril 09, 2016


A Carta de Frida

Oi, querida mulher,

Meu nome é Frida. Mas pode me chamar de Simone, de Pagu, Malala, Ada, Marie Curie, Dworkin ou se preferir, Beyoncé. Somos também Shonda Rhimes e Viola Davis. Assinamos feminismo. Carregamos militância e resistência na pele.
Resistimos porque somos mulheres e acreditamos que isso não deveria nos fazer inferiores a ninguém. 
Acho que tenho a obrigação de me apresentar melhor, até porque me julgam sem saber muito de mim. Ouvi – e não foram poucas vezes – que "essas mulheres são loucas, não sabem o que dizem". Vai dizer que você, mulher, também nunca foi alvo de críticas sexistas?
Julgam-me por problematizar a indústria e toda a estrutura que faz de mim um bibelô a serviço dos prazeres masculinos. Julgam-me porque não aceito que me reduzam a coisa. Julgam-me porque todos os dias tento romper com as amarras que não me deixam ser livre. E essa coisa de liberdade é bem louca, você não acha?
Eu também.
Nossa socialização nos dá brincos aos poucos meses de vida, para garantir que estamos para sempre marcadas como mulheres. Nos dá boneca e fogão ao 3 anos. Nos dá cor-de-rosa e princesas perfeitas aos 7. Nos dá conotação precoce – ou sensação de muita maturidade – aos 11. Nos dá insegurança aos 13. Nos dá maquiagem, dietas e padrões para o resto da vida.
Mas fica aí uma grande falha do que é ser mulher e toda essa feminilidade construída com os mais perfeitos contornos do que nos afasta dos nossos sonhos.
Sendo Frida, não me aceitaram artista, muito menos bissexual. Sendo Lovelace, tentaram apropriar do meu conhecimento e da minha inteligência. Sendo Penha, disseram-me que se apanho é porque gosto. Sendo Beyoncé, tentaram me embranquecer. E se você entende o que eu quero dizer: nunca seremos boas e por isso tem algo que nos aproxima. Somos mulheres. 
E você também. E tenho certeza de que você sabe do que eu digo. 
A gente se entende porque sendo Frida ou mera desconhecida, não querem de nós autonomia, confiança, quiçá amor próprio. Querem serventia, submissão e silêncio. Principalmente nosso silêncio. E estou aqui para te dizer para que não te cale, que a voz é sua arma de resistência. Sou filha da luta e meu lugar é na revolução. Revolucione. Diga que se ama, não alimente a rivalidade feminina, acredite em você, porque a gente já acredita. Esperamos que um dia você possa se ver como a gente te vê. Como gosto de dizer, você poderia ser mais bonita hoje, se já não fosse linda sempre.
A gente acredita que você é maravilhosa e não é seu corpo que diz isso
A pele que você habita é maravilhosa porque conta sua história. 
Mesmo que não saiba, você é resistência. A ansiedade, a depressão e o constante autojulgamento são ferramentas de dor, eu sei, e também sei que não é fácil lutar contra elas todos os dias. Queremos nossos corpos livres de tudo que nos machuca. De todo não que querem enfiar goela abaixo. A gentileza consigo mesma é um passo fundamental que nos empodera, para empoderarmos umas as outras. Por isso talvez seja tão difícil deixar de dizer para si mesma o que não diria para tua amiga. Porque nossa dor é aquela que cega, que nos impede de ver que podemos ser protagonistas. 
Eles temem nosso poder, porque o dia que nos unirmos não saberão como nos deter.
Nós, mulheres, queremos fora da sua expressão as vírgulas, os pontos e as reticências que sempre colocaram no seu discurso – porque lugar de mulher é na cozinha, porque engenharia é coisa de homem ou que se deve sonhar, única e objetivamente, com casamento e filhos. A gente entende que todo recorte é necessário e seja você mãe solteira, mulher periférica, gorda, negra, lésbica, neuroatípica ou tudo isso junto: você é protagonismo e resistência.  
E eu quero te dizer que seu feminismo jamais será menos válido se suas condições de militância são precárias ou escassas. 
Não é o feminismo acadêmico e elitista que revoluciona. Militância é empatia por outra mulher e, acredite, não precisa vir sempre estampada de feminismo. É militante aquela que aconselha a amiga em um relacionamento abusivo ou ajuda a sair dele, é aquela que viu a mãe apanhar e denunciou (ou simplesmente apoiou, chorou junto, e sentiu na pele a dor de outra mulher), é aquela que na internet faz mutirão para ajudar uma mulher periférica desamparada. É tantas outras que agiram porque a luta é compartilhada. É o feminismo intrínseco que carregamos conosco.
É toda guerra que almejamos cessar antes que cessem vidas de outras mulheres.
Sua voz não precisa ser verbal. Vocalize nas atitudes. Na sua arte, como eu fiz. Na música, como Queen B. Do seu jeito, especial e único. Que o feminismo perdure nas suas pequenas ações que tanto significam para a equidade. A sua luta é imensurável porque o machismo não te prende mais por completo. Porque você não aceita discursos de misoginia, de violência de gênero e silenciamento das mulheres. Porque nossa luta faz encontrar nossa própria essência e tudo aquilo que verdadeiramente somos – e cada vez mais distantes do que querem que sejamos. 
Porque você entende que estamos aqui umas pelas outras.
Como amigas, aliadas, irmãs e filhas da luta. Da nossa luta.

Vamos juntas?
Com amor, Frida
– mas pode me chamar de... você já sabe.
Hoje o blog completa 6 anos! Todo esse tempo fez desse espaço cada vez mais importante e especial para mim. Foram 6 anos que o Antes de Sonhar deu sentido a muitos momentos da minha vida. O tempo passa, mas nunca me esqueço de tudo que almejo realizar antes de sonhar. E espero que possam levar isso também na caminhada de vocês! Obrigada, de coração!
3 comentários

3 comentários:

Avessodemim disse...

Como leitora do Antes de Sonhar, eu só tenho a parabenizá-la pelos 6 anos de blog. 6 anos me inspirando e me fazendo crescer junto com cada pedacinho desse site! Parabéns, Mari! Um BeiJó grande

Cal Marques. disse...

Estaria eu chorando? Mulher, que texto arrasador foi esse?

''Meu nome é Frida. Mas pode me chamar de Simone, de Pagu, Malala, Ada, Marie Curie, Dworkin ou se preferir, Beyoncé. Somos também Shonda Rhimes e Viola Davis. Assinamos feminismo. Carregamos militância e resistência na pele.'' <3 essa eu vou levar para a vida!

Beijo.

www.misscal.blogspot.com.br

Florescendo disse...

Que texto em?! Sem palavras.
Parabéns pelo 6 anos de blog, deve ser uma conquista muito gratificante.


Estou iniciando na blogosfera, você poderia me visitar?
http://florescendo-m.blogspot.com.br/

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